Seg 29 Mar 2010
Na última sexta-feira, o Iesb trouxe Samuel Graham-Felsen, o blogueiro da campanha do Obama, para uma palestra aqui em Brasília.
Quando cheguei, logo me deparei com um auditório lotado e muita expectativa no ar. E, apesar da meia hora de atraso, estava muito bem organizado, com direito a perguntas moderadas e tradução simultânea.
Sam Graham-Felsen, que é mais menino do que eu esperava, falou por uma hora sem parar, sempre mostrando vídeos e alguns momentos-chave da campanha do Obama.
Ele discorreu sobre algumas questões centrais na campanha e abaixo segue um resumo do que foi falado.
Youtube
-Sua grande diferença em relação aos comerciais de TV é a forma como interagem com o espectador. Na televisão, os comerciais interrompem o lazer e podem acabar irritando as pessoas. Já no Youtube, as pessoas procuram por um vídeo, optam por vê-lo, então são mais receptivas ao seu conteúdo.
-Os vídeos de Youtube ainda têm a vantagem de chegarem ao espectador como uma indicação de um amigo, familiar, professor, que compartilham com outros esse conteúdo.
Conteúdo
-Segundo ele, “Content is the glue that holds the campaign together”.
-Na campanha, uma grande preocupação sempre foi a transparência de todas as ações e gastos feitos. Então eles sempre informavam o público e, especialmente, seus “supporters” sobre isso.
-Eles dividiram todo o conteúdo das propostas do Obama por tema e repassaram isso pontualmente às pessoas. O objetivo era facilitar o entendimento, já que as pessoas não receberiam todo esse conteúdo de uma vez. Eles fizeram, por exemplo, vídeo somente sobre a questão da saúde, outro sobre raça, etc.
-Para não ficar chato e repetitivo, eles tornaram o conteúdo divertido. Um exemplo foi o vídeo de Halloween que eles utilizaram a voz do McCain falando mal do Obama em um “filme de terror”. Os principais virais da campanha vieram daí.
-Normalmente vídeos produzidos para Internet devem ser curtos, mas há exceções. O vídeo mais popular de toda a campanha do Obama foi um vídeo de 37 minutos. Em um certo evento, ele fez um discurso sobre raça e isso foi colocado na Internet e visto mais de 7,5 milhões de vezes.
-Outra forma de se aproximar ainda mais do público foi utilizar conteúdo gerado por ele. O famoso cartaz “Hope” com a imagem do Obama foi criado por um artista sem nenhuma ligação com a campanha. Mas depois de ver a peça, a equipe do Obama decidiu incorporá-la à campanha.

O vídeo “Yes, we can” com várias celebridades repetindo discursos do Obama também foi criado informalmente pelo artista will.i.am e acabou virando parte da campanha posteriormente. Michele Obama gostou tanto do vídeo, que esse conteúdo foi enviado por e-mail em seu nome para os “supporters” da campanha. Foi uma ação de sucesso. O público adorou. O click-through chegou a 150%, o que é um número altíssimo.
Comparação entre as Mídias Tradicionais e as Novas Mídias
Proximidade do público
A campanha sempre teve como objetivo ser bastante próxima do público, ter menos barreiras. Eles organizaram um jantar com o Obama para todas as pessoas que quisessem doar qualquer valor à campanha, mesmo que fosse 5 dólares. Esse jantar pretendia ser um momento que as pessoas aproveitassem e não um momento aproveitado pela campanha.
Como conseguir 13 milhões de endereços de e-mail?
-Eles fizeram ação SMS sorteando 2 lugares na primeira fileira do jantar com o Obama.
-Contactaram o pública via redes sociais.
-Utilizaram a estratégia “Fale para um amigo”.
-Publicidade online: Eles começaram a campanha com uma verba muito restrita destinada à mídia online. À medida que eles foram mostrando a eficiência dos anúncios feitos, com resultado mensurados, a verba foi aumentando. No dia das eleições, a campanha do Obama tinha mais publicidade na Internet do que qualquer outra empresa americana, como ele disse, “mais do que a Toyota”. E os sites a que as pessoas eram direcionadas eram especiais, sobre temas específicos e voltados para cada um dos públicos.
-Google Analytics: O site do Obama teve todos os seus itens testados, desde as cores dos botões, como “frases-call to action” com ou sem ponto de exclamação, tudo. Para chegar a um modelo ideal.
Money
-2/3 de todo o dinheiro arrecadado para a campanha do Obama vieram da Internet. Foram 500 milhões de dólares em doação online.
Mobilização
-O grande objetivo de toda a campanha era fazer com que as pessoas fizessem sua própria campanha, era “empower the rassroots organizers”.
-O papel das mídias sociais é facilitar o contato, mas não é o ponto principal.
-Pessoas foram estimuladas a fazerem suas próprias ações para a campanha junto a seus contatos. As pessoas “agiam” porque acreditavam naquelas mudanças e passavam isso para seus amigos e familiares e não a mensagem do Obama.
-A campanha deu as ferramentas para esses “grassroots roganizers” e não o conteúdo.
The Alliance for Youth Movements
-Atualmente o Sam Graham-Felsen não trabalha mais com o Obama. Ele participa dessa aliança para empoderar jovens a criarem seu próprio movimento usando o meio digital principalmente.
O site é: www.movements.org
Eles têm três objetivos:
-Identificação: Encontrar tendências e novas ferramentas.
-Conexão: Fazer a ligação entre ativistas e líderes, além de mostrar “melhores usos” de tecnologias.
-Suporte: Mostrar boas práticas, fazer o papel de consultor para esse público e mostrar estudos de caso.
Para mais informação, sigam Sam Graham-Felsen no Twitter: @samgf










